Efetivamente, a escritura e todo tipo de grafismo em geral se realizam mediante atos extraordinariamente complexos, nos que participa todo o indivíduo. Trata-se de uma conduta das chamadas voluntárias ou reflexivas que tem de passar pelo período de aprendizagem ( este complexo período de aprendizagem não se completa até os 14 anos ) baseado tanto na experiência como na capacidade do ser humano para relacionar os objetos e os seres, bem como para deduzir as leis que regem em seu meio.
Nesta aprendizagem escritural, o sistema nervoso joga um importantísimo papel, bem como o aparelho locomotor e os órgãos dos sentidos. Efetivamente, para conseguir uma correta escritura são necessárias, em linhas gerais, as seguintes condições:

                                                             
- Compreender tanto o que se ouve como o que se vê.
- Elaborar a expressão da linguagem.
- Programar os movimentos escriturais adequados.
- Desenhar os correspondentes signos gráficos.

Podemos, pois, descompor o processo escritural em três fases: recepção, integração e expressão.
A recepção de estímulos pode produzir-se tanto nos órgãos auditivos e visuais como nas terminações nervosas da pele ou nos próprios músculos e nervos. Ao escrever ouvimos, vemos -o que nos rodeia e o que escrevemos-, tocamos e sentimos a pressão da mesa, do papel, do útil de escritura, etc., e pomos em movimento ao mesmo tempo uma grande quantidade de músculos obrigado aos impulsos nervosos.
O cérebro (responsável dos movimentos conscientes ou voluntários) e a medula (dos movimentos reflexos) enviam estes impulsos aos órgãos correspondentes: braço, antebraço, boneca, mão e dedos.
Estes últimos atuam de maneira perfeitamente coordenada: a articulação da boneca faz movimentos de flexão e extensão, harmonizados pela ação combinada dos dedos.
O antebraço, por sua vez, faz que a mão vá variando paulatinamente sua posição; o cotovelo permanece fixo, o que converte aos renglones de escritura em arcos de enorme rádio, fazendo-os praticamente retilíneos.
O papel se sujeita com a outra mano, inclinado convenientemente; a cabeça, a sua vez, inclina-se para a esquerda e a mão se desliza sobre o papel obrigado à ação combinada dos músculos do antebraço. Põem-se também em movimento as articulações do cotovelo e do ombro. Ao todo são nada menos que quinhentos músculos os que entram em ação.



O deslizamento da mão pelo antebraço se regula graças à sensibilidade -tanto superficial como profunda- dos dedos anular e mindinho, das estruturas cubitales da mão e da cara interna do antebraço.
Os três dedos que sujeitam o útil de escritura ( índice, polegar e meio) realizam movimentos de flexão e extensão, formando desta maneira as letras. O índice intervém sobretudo nos movimentos que vão para abaixo e o polegar nos que se dirigem para acima. O controle das curvas, bem como a direção e o sentido da escritura, consegue-se graças à coordenação dos dedos citados.
A todas estas conclusões se chegou mediante a observação de filmagens realizadas exclusivamente com o fim de pesquisar sobre este complexo mecanismo biológico que é a escritura, no que não esqueçamos que é o indivíduo em seu conjunto o que está comprometido.
Portanto, aparte dos órgãos diretamente implicados ( dedos, mãos, braço, ombro, etc.), existem outros que estão intimamente correlacionados com eles: coração, pulmões ( e sistemas circulatório e pulmonar em general ), aparelho digestivo, sistema nervoso, etc.
Por conseguinte, no que a escritura se refere e desde o ponto de vista biológico, o indivíduo deve ser considerado de maneira global.
O máximo pesquisador destes aspectos fué Freeman, que estudou cinematográficamente todos os movimentos e possíveis colocações da mão ao escrever. A participação de cada dedo fué estudada por Obici. Outros pesquisadores destes temas são Goldscheider, Kraepelin, Javal e Roman, utilizando aparelhos tais como a balança especial -de Kraepelin-, o "graphodyno" ou o "grafómetro".
Algo parecido sucede no plano psicológico, já que na escritura atual de um sujeito não só se refletem suas vivências mas recentes, senão que se encontram igualmente plasmadas todas aquelas situações que foram modelando, ao longo de sua vida, sua personalidade atual.
Não há que esquecer a influência dos pais e educadores, cujos modelos de escritura tende o menino a imitar, podendo ficar nas escrituras de adultos rasgos herdados destas imitações infantis e juvenis. Este tipo de rasgos será tanto menos significativo conto maior tenha sido a evolução pessoal do próprio indivíduo.
Uma vez comentadas as fases de recepção de estímulos e expressão gráfica dos mesmos analisaremos a seguir a fase central do processo de escritura, isto é, a integração. Esta tem lugar no cérebro, fundamentalmente a nível da crosta do mesmo em onde se unem as sensações (visuais, auditivas, tácteis, etc.) e as vivências pessoais atuais e passadas, para dar resultado aos pensamentos e idéias que, convenientemente tamizados, se plasmarão de modo gráfico sobre o papel.
Para isso, e segundo explicamos, o indivíduo utilizará as molas anatômicas e fisiológicos que coordenados por milhões de células nervosas (ou neurônios) localizadas na zona do cérebro conhecida como "centro motor da escritura" farão possível esse extraordinário ato cotidiano que chamamos "escrever".

                         Tomado de " O grande livro da Grafologia"

                                     de José Javier Simón